Palhaços, mágicos, malabaristas e outras atrações artísticas

 

Respeitável público, hoje é o Dia Nacional do Circo! Não, não irei falar do meu trabalho novamente. ¬¬ Não quero vê-los ir do riso à repugnância, em tão pouco tempo. Pois eu não gosto de trabalhar, se o sentido da palavra for o de trocar horas de vida por dinheiro, ou energia vital (leia-se saúde) por dinheiro. Diz-se que “o trabalho é a melhor e a pior das coisas: a melhor, se for livre; a pior, se for escravo” (Émile-Auguste Chartier, "Alain"). Não sei bem o que é a primeira. Por ter me deixado levar pelas circunstâncias de outrora, por uma mera falta de uma reflexão mais profunda sobre o que eu queria, sou há alguns anos como um robô taylorista. E não irascível. Eis o triste cenário que foi armado, de uma hora para outra, em direção ao mesmo caminho medíocre dos outros. Mas não nos preocupemos com isso, agora. Não devemos dar muita bola.

Haja vista a alegria do ano passado ser de hoje! Lembro-me quando escrevi dois artigos, neste blog, a respeito da comemoração circense. Em ambos, na verdade, versava um pouco sobre o trabalho escolar da minha vizinha Layza, de uns sete aninhos (deve estar fazendo oito, já já). Ela é muito simpática, contente, cativante. Por alguma razão, nesta época, vem me pedir para fazer desenhos a mão sobre a data. Eu não sou bom desenhista, se é que me entendem. Todavia, a despeito disso, sempre faço. E com muito gosto!

Neste ano, por exemplo, Layza me pediu o mesmo desenho do ano anterior. Fiz novamente à mão, na cartolina, o palhacinho e o seu circo. No caso do circo, empolguei-me mais e o editei, também, através do Photoshop. Incrementei a paisagem, outrora vazia. Vocês podem ver o processo de criação resumidamente abaixo:

 

Clique nas figuras, para ampliar…

KY - Circo, desenho de 2010~>KY - Circo, com esboço do céu

~> KY - Circo, com esboço do terreno~>KY - Circo, com paisagem completa

 

Além disso, desse passatempo que é desenhar, mostra-se um tanto engraçado, principalmente para um perfeccionista como eu, quando a gente lê o trabalho, vê os erros de português e, ainda assim, prefere não os corrigir. “Fica mais original”, penso eu. Diria mais honesto e menos intransigente para com uma criança. Em “Cer Criança Cempre” deixei explícito que não sou austero, no próprio título. Ao contrário do que vem acontecendo no órgão em que labuto, eu procuro va-lo-ri-zar os erros. Humberto Gessinger, líder da banda Engenheiros do Hawaii, sabia muito bem a importância desta valorização e, numa canção, disse: “Se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual”.

Isso pode parecer estranho ou faceto é verdade, mas não estou sendo cínico, pois errar é bom de fato! Uma criança (e o adulto) quando erra, aprende. E mais: dissemina o aprendizado (se o ambiente for propício, lógico, o que não é o caso de alguns setores de minha Autarquia). Tratar um erro como algo terrível e passível de críticas, causará dois efeitos negativos: comodismo e medo. Coisas que nos “travam”. Quem terá coragem de correr riscos, sabendo que se errar será praticamente linchado?

Daí porque vejo com bons olhos as imperfeições alheias. Não exijo de ninguém a perfeição! Isso é o cúmulo de quem comina. O culminar do acme da loucura, é reclamar o impossível. O dever da perfeição é o maior empecilho à criatividade e à inovação, diz Luiz Carlos Cabrera, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Porquanto o homem é imperfeito e, por isso, maravilhosamente humano. Errou? “Faça de novo”, Cabrera simplifica. “Um erro deve ser corrigido, e não punido”, apõe o filósofo Mario Sergio Cortella.

Claro que estamos falando dos erros que representam uma falha, algo que não foi feito com dolo ou má-fé. Falamos do erro comum que todos podem cometer, mas que somente poucos admitem. Pior ainda é o profissional mentiroso e tartufo que acredita que a melhor atitude é esconder o erro ou não falar dele. O erro é para ser discutido, analisado e, aí sim, corrigido.

Correção melhor, cogente, seria a substituição do trabalho entediante, cansativo – que a gente pode entregar às máquinas – pelo ócio criativo, defendido por Domenico de Masi, conceito no qual as atividades de trabalho, estudo e jogos devem se confundir nas atividades diárias do sujeito. Entretanto, um pensamento comum em empresas comuns, que não seguem essa linha, é outro: o que funcionou até agora, não precisa ser mexido! Esse é um dos maiores erros de gestão, uma vez que vai exatamente contra a inovação. Afinal, como enfatiza o próprio De Masi, “o controle não serve para nada, senão para inibir a criatividade”. Urge, destarte, uma revisão das regras que dominam a produção intelectual.

O elemento lúdico do ócio criativo, aliás, eu destaco como a forma de evitar a mecanização das tarefas, dando-lhes "alma". Rememorando-me, daí, os afazeres do palhaço e, em parte, a minha escrita através de alguns blogs – mesmo que amadora – nos quais descobri a única atividade que exerço sem a mínima sensação de peso, ou fardo. É algo intrinsecamente natural. Para mim, uma diversão como a procedente de um jogo. Parece até que estou clamando, nesta última frase, por tal forma de trabalho: digno, de lazer, o que vem a ser um virtuoso meio de supervivência sem excluir imperiosamente o entretenimento. E se equivoca, pois, quem trata o referido ócio e a inação como entes iguais.

O tipo de ócio, enfim, que Domenico De Masi pontua é diferente do que a palavra inspira – muita sombra, água fresca e nenhuma ocupação para o resto da vida. Sob este ponto de vista diverso, o ócio pode transformar-se em violência, neurose, vício e preguiça. O ócio criativo que o autor acastela, por sua vez, tem outro significado: está associado à criatividade, à liberdade e à arte. Note-se aí um grande distanciamento.

KY - Thúlio Jardim, O Palhaço OscilaAh, e o circo onde fica nessa história? Dentro ou fora de um ócio criativo!? É possível ser empregado do picadeiro sem aliar trabalho, aprendizagem e o sorriso superveniente do lazer??? Infelizmente, pro nosso pesar, creio que é possível sim. Particularmente porque me sinto às vezes o palhaço do oscilômetro – “o oscila” – ou parente do palhaço do circo sem futuro. Este, o personagem do Cordel do Fogo Encantado, já dizia: “Pai, me ensina a ser palhaço.” Pai, me ensina a sorrir à noite, um sorriso que se mostre pr’essa gente. Nesse mundo que é triste, debaixo dessa lona rasgada, desculpa ter ignorado o circo, pai, me empresta esse sorriso. Esse mundo está doente, o palhaço mal responde. O circo está pegando fogo. “E essa tragédia que é viver, e essa tragédia. Tanto amor que fere e cansa”. Nem tudo traz brio, apronto-me a assoalhar.

Porém em que momento parei e citei que seria fácil para todo mundo se tornar palhaço? Que não amolga em nós, também, pensar na possibilidade de que há palhaços pálidos, de semblante abatido, mas não pela maquiagem? Meu caro, para ser um verdadeiro palhaço de circo é preciso muito treino e estudo. Existe, inclusive, um nome específico para quem quer se instruir na carreira: palhaçaria. Sapatos grandes, nariz vermelho e roupas coloridas não bastam. Assim, não espere que se vestindo de forma engraçada e fazendo caretas esteja a se equivaler a tal figura.

Ademais, não só de humor picante vive o anfiteatro. Nos espetáculos, há um aspecto bem triste: o dos animais. As imagens deles, dóceis e felizes, como é apresentada pelos proprietários do circo, não condiz com os detalhes horríveis vivenciados, por todas as espécies, até a morte. Muitos, além de passarem fome, ficam confinados em espaços minúsculos. Seu treinamento é baseado no medo, na tortura e na anulação dos seus próprios instintos, ou seja, um tratamento alarmante e inaceitável. O elefante artista e o urso que anda de bicicleta, a platéia admira. Sem saber que neles nem sempre se abriga a sorte, a alegria.

"Felicidade é a única coisa que podemos dar sem possuir. " (Voltaire)

Apesar de tudo isso, não abafo minha facécia. Sigo firmemente a frase de Voltaire e não escondo a face para um gracejo. Tenho esse jeito sabido de não me apresentar como estou, desenxabido e estanguido, para não acender dores em quem está quieto ou, no instante, folgazão. Se fizesse isso prestaria um desserviço à humanidade. Causaria, escusadamente, ansiedades.

Melhor lembrar-me do que enseja a alacridade. E na data presente fazer tributo ao histórico palhaço Abelardo Pinto. Mais conhecido pelo apelido Piolin, dado por artistas espanhóis, numa referência a um tipo de barbante, em virtude do homem ser magro, de pernas compridas e muito flexível (além de palhaço, era ginasta e equilibrista). Para ter ciência da importância do Piolin para o circo no Brasil, é ideal entender que, durante muitos anos, nosso país comemorou o dia 15 de março como o Dia do Circo, seguindo o calendário internacional. Contudo, para prestar uma merecida homenagem ao nosso grande palhaço, a data foi alterada para coincidir com o aniversário dele, sendo oficializado o dia 27 de março como “Dia Nacional do Circo".

E para terminarmos este artigo com chave de ouro, não podia esquecer de citar os números de mágica, acrobacia e malabarismo indispensáveis para dar o ar da fantasia e encantamento maior ao “show”. Há ginastas e equilibristas que, tal como os palhaços, levam regozijo ao público através de suas apresentações artísticas, algumas, diga-se, muito arriscadas. Mas, meu camarada, quem não gosta do suspense do circo?! Quem não se lembra do atirador de facas? E do contorcionismo da mulher borracha e de outros personagens de força, agilidade e flexibilidade??? O circo é indiscutível arte!

E é pelo exposto acima que não me parece coincidência celebrar, no nosso Dia do Circo, o Dia Internacional do Teatro – data da inauguração do Teatro das Nações em Paris. Teatro e circo: grandes eventos em que as pessoas se reúnem para se divertir com palhaços, mágicos, malabaristas e outras atrações artísticas.

 

 

Thúlio Jardim. Recife, 27 de março de 2011.

 


 

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Sentimento Sem Semelhante

Nathalia Alvares, PARABÉNS!

Quem diria que já faz um ano e mais que te conheço, guria? Quanta correria, por que passou tão célere o tempo gorila??? Onde estás?! Depressa, acelere em responder! Não espere, pois; pois cada palavra que eu expresso é visando te aprazer. Par’aonde foi, que eu não sei como deparar? O portfólio seu, qu’estou a reparar… veio a mitigar a saudade que me abona só. Mas não completamente, posto que a tristeza jamais me abandonou – nunca perime.

Como seu, sou… amigo sincero. Observo que soa estranho dizer isso! Haja vista sentir-me tanto íntimo. Que intimo você a comparecer! Não tem desculpa, inda agora te quero ver. Não dissimula!!! Contrafazer-se do que sente, adianta? Adiante-se, doravante! Ou adora a dor da saudade, da lembrança?!

Namorado seu, nem sou. Mas tenho esperança. De com o que escrevo aqui, em vista do seu aniversário natalício, trazer-lhe algum sorriso ou alívio. Ciente estou que as palavras espalham pathos e, talvez, o ciúme. Tanto na minha namorada, quanto no seu namorado – também, quiçá. Quem sabe, esteja mal me exprimindo. Imprimindo errado, tornando constituinte e cunhada minha claudicação. Deixando outras pessoas à flor da pele, chibantes ou ciadas pelo punhado aconchegante (pra ti) dessas frases – chiantes, vicejantes, viciantes! Tudo ao mesmo tempo. Apenas por aspirar, como único intento, erigir o preito e o respeito que tenho à vossa nata! Que não é de nada, perto do que mereces.

Realmente, com a vênia devida. Rememoro, hoje, não somente o seu nascimento. Tenho comigo aqueles versos escritos, com carinho, no momento em que abriu o peito para este nobre parceiro. Dissera-me estar com um sentimento indescritível. Algo não bom, na época. Um, segundo suas palavras, “sentimento sem nome”. Achei marcante a citação, naquele contexto. Anotei, mentalmente. Naquela ocasião, que guardo até hoje.

Já, já, revelarei o restante que anotei. Faço juntamente com os meus votos de saúde, sucesso e felicidades. Foram duas versões quase idênticas; com pouca diferença, o mesmo poema. De uma para a outra, mudei apenas as duas últimas estrofes. Espero que você goste! Eu as ostento no alto, em meio à oste. Oxe! Para que você veja… E isto a pergunta enseja:

                                                                 par’aonde tu fostes?

 

Sentimento Sem Semelhante
Thúlio Jardim, em 25/01/2010.

Eu sou um sentimento ambulante
Mas não compartilho nada com alguém
Não há sequer um só semelhante
E nenhum é capaz de entender
o talhe e os detalhes que ele tem.
Nem o bem… ou o mal… que ele me faz.

Sereno, altivo, encantador, como a paz,
Um anjo de saias chegou
para mim, tempo atrás,
Sem saber ao menos por que ele vinha
E se um nome por acaso ele tinha
E o bom… do seu mel… para ser meu!

Céus! Não sei para quê apareceu
Se não ficaria para o festim…
Fez de mim o que quis quando eu
Lhe prometi o amor sem fim.
Quase morri… seguramente,
Chorei um alude, sinceramente,
Resisti o que pude, porém fora ilusão.

Aquele coração era meliante
Mais ainda atraente, como ninguém,
Abriu um vão no meu peito, em instantes,
Deixando-me num deprimido semblante
Quando partiu para bem longe…
E aluiu o aludel da confiança
Que demorei tanto para conquistar.

Fez vir ao mundo em mim um pranto
Que não dava para secar
Menor o mar! Menos profundo!
Que a tristeza que brotava
Naquele lugar…
Comprimindo minhas artérias
Acaçapando-me numa total inércia
Em meio ao campo da solidão.

Eu sou este sentimento não
De derrota que, na garganta nossa, entala
Da raiva que, de supetão, se instala.
Ferozmente, furor de amor eu sou!
Algo tão etéreo, cabal e abrangente
Que não se entalha nos lacínios da flor
Nem com cinzel se lavra na mente.
Doente, eu sou, de amor!

 

Sentimento Sem Semelhante (2ª versão)
Thúlio Jardim, 29/01/2010.

Eu sou um sentimento ambulante
Mas não compartilho nada com alguém
Não há sequer um só semelhante
E nenhum é capaz de entender
o talhe e os detalhes que ele tem.
Nem o bem… ou o mal… que ele me faz.

Sereno, altivo, encantador, como a paz,
Um anjo de saias chegou
para mim, tempo atrás,
Sem saber ao menos por que ele vinha
E se um nome por acaso ele tinha
E o bom… do seu mel… para ser meu!

Céus! Não sei para quê apareceu
Se não ficaria para o festim…
Fez de mim o que quis quando eu
Lhe prometi o amor sem fim.
Quase morri… seguramente,
Chorei um alude, sinceramente,
Resisti o que pude, porém fora ilusão.

Aquele coração era meliante
Mais ainda atraente, como ninguém,
Abriu um vão no meu peito, em instantes,
Deixando-me num deprimido semblante
Quando partiu para bem longe…
E aluiu o aludel da confiança
Que demorei tanto para conquistar.

Fez vir ao mundo em mim um pranto
Que, terrível, não dava para secar…
Menor o mar! Menos profundo!
Que a tristeza que brotava
– imarcescível – naquele lugar…
Comprimindo minhas artérias
Acaçapando-me numa total inércia
Em meio ao campo do tojal da solidão.

Eu sou este sentimento não… que não agrada,
De derrota que, na garganta nossa, entala
Da raiva grada que, de supetão, se instala.
Ferozmente, furor de amor eu sou!
Algo tão etéreo, cabal e abrangente
Que não se entalha nos lacínios da flor
Nem com cinzel se lavra na mente.
Doente, eu sou, de amor!


PS – Nathalia se encontra em outro país e faz aniversário hoje. Por coincidência, este blog também fez o seu neste mês! De um aninho… 😉

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Férias do Astronauta

"Amigos, irei dar uma volta pela caatinga, tentar encontrar folhas verdes, flores coloridas, que resistiram ao luciluzir do sol e a sequidão do chão."  (Thúlio Jardim)

Volto em janeiro de 2011.

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Querer Demais

Este artigo foi publicado, inicialmente, no blog Kara Ystúpido.

Eu sempre quis ter um espelho de teto. Acho até que vocês já notaram certa fixação minha por este singular objeto. Afinal, já postei em algumas vezes referências a este “vidro” ou ao meio no qual surge a primeira impressão que geralmente as pessoas se importam em ter, quando vêem alguém. Sinceramente, não nego que tenho lá também o meu jeito narciso. Contudo nunca, em hipótese alguma, coloco a beleza num balde, como cimento primário para o baldrame de uma amizade ou, quem sabe, de um incipiente amor. Entretanto e embalde, muitos são os tipos que fazem da aparência o recipiente único a ser preenchido.

Mas voltemos ao assunto do espelho de teto. Já pensou, amigo?! Hum… Imaginou-se a chegar a sua casa depois de um dia cansativo no trabalho, depois daquela atividade física exaustiva para perda de peso ou, talvez, de um simples pedalar de bicicleta ao lado de quem se ama… e, mal tirando a meia, deita-se na cama e num cruzar de pernas derrama todo o seu ardor na companheira? Faz cócegas e carícias no calcanhar, pede pra garota não tirar de ti o olhar, enquanto vê o cintilar do sorriso dela em sua morada? Então, chama a coitada de cadela, em vez de namorada, ao passo em que segura suas ancas e coxas e, pelo ventre, se resvala? Naquele clima ardente, juntando-se à saliva misturada, une as duas bocas e, de repente, ela não mais fica apavorada? Que coisa louca e séria! Seria aquela agonia tão boa e sincera… aquela perda da força, um deleite! E da roupa, a perda sem usar-se a força – bastaria um par de gestos. Jesus! Faria até sinal da cruz, se não fosse dito pecado a junção carnal sem compromisso.

Tudo isso porque selecionar-nos-íamos na ânsia da primeira vista, estando ligados por uma espécie de química que nos pregou – nurzinhos – a notória surpresa. E assim TÃO LIGÉIRO ESCOLHERÍAMOS, entre quatro paredes e um espelho, nos unirmos apesar do que eu disse anteriormente. Rolaria ali e assim mesmo! Sem tempo para elegermos a dedo o nosso primeiro caso de amor, que poderia ter sido bem melhor, igual à idealização que as mulheres dão ao seu primeiro, comumente. Só que nesta cidade campesina, onde há poucos lugares e sorte tão pequena, onde a minha garota é divina, de mente acatada e em alto grau apreensiva… seria querer demais. ;-p

 

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Ela que é muito bela

 

Este artigo foi publicado dia 14 de junho de 2010, no blog “Kara Ystúpido”.

 

Jacy e Eu, desenho artístico de Márcio Santana. Levemente editado por mim, usando o Photoshop.

“Passei o dia com teu céu. Lá fora choveu. Em mim fez sol. E você, minha flor, não era terrestre. Era o arco celestial.”

Justo hoje, no Dia do Cardiologista, eu a conheci. Ela que operou um milagre em meu coração. Fê-lo palpitante, como se eu estivesse numa das danças mais contagiantes, análoga a do frevo. E quem diria: exatamente agora, aqui no Recife, também é o dia de tal celebração! Sim, meus caros, apesar de a força do Carnaval se concentrar somente em fevereiro, mês do meu aniversário, a data presente serve igualmente de homenagem para esse ritmo musical, com marcha, maxixe e elementos da capoeira, com o frenético movimento das pernas que se dobram e estiram, e com os instrumentos típicos da orquestra – requinta, clarinetas, saxofones, pistões, trombones, hornos, tubos, taróis e o surdo. Porque o Recife tem seu próprio Dia do Frevo, escolhido com preito. A “Veneza Brasileira”, “Cidade Maurícia”, “Capital do Nordeste”, minha cidade natal e, claro, a progenitora do frevo, assim como a cidade de Olinda, são fecundas em cultura e tradição, levando no peito o emblema dessa colossal paixão, que completa mais de cem anos e traz alegria pra qualquer ser humano.

Só não é mais sobressalente que o amor que eu tenho por aquela que desvendou a alegria do meu olhar aparvalhado, como se esse passasse a existir apenas daquele momento em diante. Antes dela, era o crepúsculo total de um cego! E havia uma eterna abertura em minha alma, um sedenho que me impedia de ser a metade doce da laranja de uma possível companheira que nunca tive. Até o dia em que conheci a Jacy

Já estava na hora de uma amante aparecer para esse pobre diabo! Eu que não acreditava em anjos, eu que nunca tinha avistado um único brilhante, como crer naquilo que se punha diante de mim, afinal? Seria um delírio!? Não supunha ter tamanha sorte, jamais! Porquanto, naquela ocasião, na minha frente, havia um diamante reluzente, uma figura angelical. E fora ela quem me tirou das estatísticas de que, a cada ano, centenas de milhares de pessoas em todo o mundo morrem de morte súbita de causas cardíacas. Haja vista que, doravante, eu não mais experimentaria dores de amor. Aquela mulher a qual eu quis o gosto, no dia 14 de agosto – em que a conheci -, e que, bem antes de um beijo obsecrado, as minhas preocupações delira – com um simples sorriso! -, foi a responsável por exterminar a minha tristeza em ser sozinho. Meu coração se aquietou, nesse sentido, quando ganhou um beijo depois de um significativo olhar. Provavelmente, nesse olhar, cheio de picardia e malícia, tudo já havia começado.

Tinha sido a primeira vez que em meu interior reinavam, harmoniosamente, a bradicardia de uma serenata e a taquicardia do enleio amoroso, num só tempo! Como explicar??? Somente por meio de metáforas, pois. Eram ali o rei e rainha de mãos dadas, os opostos se complementando, ventrículos esquerdo e direito compartilhando o mesmo lugar no espaço. Apenas lamento por ela ter demorado tanto para surgir! E é realmente uma pena ela estar em outra cidade, tão distante de mim, nesta data especial. Sinto muitas saudades, mas sei que este período que passamos um do outro apartados, por terras longínquas, ainda trará muitos dividendos e felicidade para ambos. Tenho certeza que, de minha parte, saberei suportar a dor desta separação passageira, pois tenho confiança nela, pois tenho confiança no meu amor, no amor dela, no nosso amor! Sei que esse sentimento é maior e mais forte do que estas centenas de quilômetros que nos separam, e sei que, quando eu regressar, saberei compensar este período de ausência.

A certeza é tanta, se não fosse eu nem tinha firmado um compromisso, escrito alguns poemas pensando nela, entregue carta, anel e outros mimos, se eu não gostasse tanto de sua pessoa, eu não teria dividido com ela minhas angústias, pedido a mão e toda a sua atenção, com muita manha. Na manhã seguinte a do dia em que cheguei a Floresta-PE, neste ano, durante minhas conjeturadas férias de junho, logo fui preparando a surpresa. Na verdade, a primeira de uma série, que serviria pra encobrir algo maior que estaria por vir no Dia dos Namorados. Lembro, inclusive, que neste dia 12 de junho de 2010 eu escrevi um artigo neste blog, praticamente sem dizer quase nada, a fim de aumentar a curiosidade dos colegas. Havia prometido revelar do que se tratava, mas somente após o meu regresso ao Recife. Como já faz bastante tempo que estou aqui, já tá no momento de fazer a revelação.


Primeiro, em um papel envelhecido, um poema escrito para ela, intitulado “Para Toda A Vida”. Que lhe dei poucos dias depois deu ter chegado lá, em Floresta do Navio, aproximadamente por volta do dia 8 ou 9 de junho. Caso esteja interessado(a) em lê-lo, clique na figura acima e use a lupa. Junto a esse papel, ofereci uns presentinhos, queria eu aparentar que não havia planejado nada pro Dia dos Namorados – deixando a cargo dela essa tarefa – quanta mentira! O que era mais sério estava reservado para esse dia. Uma cartinha junto a um par de anéis, entregues em Itaparica-PE. Na cartinha, um poema escrito a mão, cuidadosamente, em letras douradas. Que dizia:

“A cor da aliança
É de ouro em prata reluzente
E eu te dou como compromisso
Junto aos meus melhores sentimentos
Que afloram feito a chama
Num sorriso: o mais luzente e permanente.

Isto tudo é meu acordo, não uma trama
Para te levar para uma cama.
É meu eterno acerto, sem divórcio,
O enternecedor concerto eviterno!
E antecedente de uma data magnânima
– Aquela grata, comovente… santa! –
Do nosso futuro: o casamento.”

 

Sendo assim, nem precisava eu acrescentar pra ela que encontrei nela toda a ventura e aventura que alguém possa sonhar. Mas, ainda assim, falei. E, com muita convicção, frisei que ela encontrou alguém que não vai medir esforços, nunca, para fazê-la a mais realizada mulher, em todos os sentidos. Eu me sinto tão orgulhoso e feliz por tê-la comigo, por ela aceitar-me como seu namorado! Ela que é muito bela e é sempre muito agradável olhar para ela. Principalmente porque ela convive com esta qualidade inata de forma serena, sem deixar-se dominar pela vaidade ou por arroubos frívolos e, por outro lado, jamais se coloca de forma pouco elegante, esteja no ambiente em que estiver, no colégio ou no lazer. É leal e muito séria, porém não perde o bom humor, é sabido por mim, é sabido por todos ao seu redor. Quantas vezes já me beliscou e fez piadas!? Ah! Ela é minha querida e me “judia”. E falar que estou com saudades dela, até de seus beliscões, não lhe faria muita surpresa, pois ela sabe que eu sempre estou com saudades, verdadeiramente. Sei que, hoje, ela está longe de mim e que essa distância que nos separa é fruto de uma circunstância alheia à nossa vontade, por isso precisamos ter paciência…

Aguarde-me, valiosa Jacy, e fique despreocupada! Ainda esse ano eu te vejo, eu te puxo, eu te beijo, e eu te darei toda a minha exação.

De coração,
Thúlio Jardim.

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Pai, Santo Sem Prece.

 

No Brasil, comemorar o Dia dos Pais partiu do publicitário Sylvio Bhering e foi festejado pela primeira vez no dia 14 de agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família. Sua data foi alterada para o 2º domingo de agosto por motivos comerciais. Agora, como surgiu o primeiro Dia dos Pais do mundo, e como virou mais uma data comercial em algumas regiões, não importa! Porque sabemos principalmente do quanto precisamos lembrar mais dele, ter respeito, carinho e atenção cotidianamente, e também porque, independentemente do seu lado comercial, esta é uma data para ser muito exaltada, nem que seja para dizermos um simples “obrigado” àquela figura protetora. Com presentes ou não, os pais agradecem!

Fiz outra homenagem, em poesia, no intento de agradar a todos os pais; estendendo assim o carinho sem ditar a quem, sem dirigir somente ao meu paizão, como fiz na postagem anterior. Queria, dessa vez, compartilhar com todos vocês! Os versos foram escritos em 05 de agosto de 2009, com a devoção de quem os faz como para um Santo. Tenham, meus amigos, um ótimo Dia dos Pais, e boa leitura:

 

 

Do Filho para O Pai
Thúlio Jardim, 05/08/2009

Essa é uma homenagem que faço
A todos os pais de todos os filhos
Que tragam assim consigo…
Um carinho que em mim é imenso…
De bom grado demonstrado por ele
E deve ser desse jeito só nosso, recíproco!
Pra sempre o meu dever é para com ele
Que eu, enfim, de amor então o perle
E revele a paixão e enfie naquele seu grande cerne
Até que ele se atrele sem pressa ou me peça pra ficar junto

Há tanto tempo ele se tornara santo sem prece… há quanto?!…
Daí que esbanjo as minhas singelas, mas precisas, palavras!
E conto pra todos e com todos conto sem prantos
Pra cantar toda esta paixão sincera, esperanto!
Todo esse amor para ele exaltado sem espantos!
Esse amor que está aqui falado…
Amor que é o cheiro dele amado…
E o nosso por ele logo fairado.
Por isso o quero comigo bem próximo…
Trazê-lo no corpo como tatto gigante, quarado!

Vou ainda mais longe e peço pro povo
Fazê-lo feito anjo no altar bem exposto
Para que possamos exaltar este ser agora mesmo.
Pois ele eu manjo e você também deve… Por que não?
Nós faremos ele feliz na alma, pele e em todo coração
Haja vista que pai é quem cria e nos traz pro mundo, tô certo?
Jamais nos trai, eu o conheço e sei que zelo!
A vista dele para mim é um charme que me chama
É demais! E sei que ele é mais, muito mais…
Do que eu penso saber quando estou perto
Ele é a pessoa doce para a qual eu de bandeja entrego
O manjar dos deuses e este mar de estima em letras adoçado!

 


 

E aí? Você gosta de seu pai, biológico ou não? Valoriza-o tanto quanto a sua mãe? E se realmente lembrou-se devidamente dele neste domingo – Dia dos Pais – deu-lhe algum presente, certo? Sei: um abraço ou um telefonema, isso também conta, vai lá… Eu mesmo tive de ligar pro meu, neste instante, pois ele mora distante. Mas eu não só falo o quanto ele é importante neste dia não. E você? Prende-se a isso, só por etiqueta?!

Para mim, não é preciso ser Dia dos Pais, e não faz sentido tal cerimônia se a gente esquece dele nos demais. Contínuo, pois, deveria ser o nosso agradecimento, ou o empenho em tirar dele um sorriso qualquer. Contínuo como é o sentimento de orgulho que eu tenho e trago por ele, que eu não guardo, digo, que eu exponho! Guardar eu o faço, no sentido de conservar. Deixo aqui, então, para terminar o meu singelo recado, um grande abraço – só dele!!!

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